O que define uma região? Uma das respostas possíveis para essa pergunta passa pela limitação geográfica do espaço. Essas linhas imaginárias — como são os trópicos e as divisas de nações — são criadas pelo ser humano, transformadas em leis e mapas e aceitas pelas pessoas que delimitam, em sua mente, um território.

E o cheiro que sentimos ao percorrer determinada serra, o gosto daquele queijo produzido no local, as fachadas dos estabelecimentos do bairro onde vivemos, a embalagem daquele guaraná que só poderia ser feito com aquela água; qual a relação disso tudo com a percepção que temos de uma região?

Nós nos relacionamos com essas imagens, sons, cheiros e sabores de modo muito particular e contínuo ao longo da vida, e muitas dessas relações são mediadas por imagens que servem como interface — as embalagens, os logotipos nas fachadas, o formato do cesto ou do bornal produzido no local — e moldam nosso imaginário sobre a região em que vivemos ou que visitamos.

Por trás de muitos desses objetos e imagens há o pensamento do design, que nada mais é do que criar uma forma que cumpra sua função, seja ela informar o nome de um estabelecimento, mostrar o diferencial de um produto ou ainda comunicar atributos de uma marca, como tradição ou inovação. Nesse caso, como quem cria a linha invisível que delimita uma cidade nos mapas e nas mentes das pessoas, criamos a imagem que carrega a mensagem que queremos transmitir.

A próxima vez que você olhar para a placa que indica uma cachoeira, ler o rótulo de uma paçoca caseira ou entrar em um restaurante cuja fachada chamou a sua atenção, lembre que essa imagem que se apresenta a você foi projetada para portar uma mensagem. É importante que o processo para criar essas imagens seja estratégico, para que a essência do local, produto ou estabelecimento seja transmitida de forma clara e a percepção não seja de algo pasteurizado e sem alma. Afinal, ao projetar essas interfaces, estamos criando experiências e memórias.

A próxima vez que você olhar para a placa que indica uma cachoeira, ler o rótulo de uma paçoca caseira ou entrar em um restaurante cuja fachada chamou a sua atenção, lembre que essa imagem que se apresenta a você foi projetada para portar uma mensagem. É importante que o processo para criar essas imagens seja estratégico, para que a essência do local, produto ou estabelecimento seja transmitida de forma clara e a percepção não seja de algo pasteurizado e sem alma. Afinal, ao projetar essas interfaces, estamos criando experiências e memórias.

Texto originalmente publicado na coluna Ensaios Regionais, no instagram da Associação Apear: https://www.instagram.com/p/CDzZRTfBVOc/

Designer do estúdio Daó